quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Caramulo e os seus encantos

Das minhas memórias






O mês de agosto de 2014 foi muito rico a nível de férias. Eu e a Lita fomos uma semana para o Caramulo, a serra mais bonita de Portugal, no dizer de quem a conhece mais de perto, sobretudo pelos que a visitam com objetivos de nela descobrirem cantos e recantos entre vales e montes, ora revestidos de verdura que alimenta gado e pessoas, ora mostrando a agressividade dos picos cortantes das pedras ancestrais acolitadas por equilíbrios fascinantes. 
Houve tempo para visitar aldeias típicas, de velho casario talhado pela mão do homem com materiais oferecidos pela mãe-natureza, aqui e ali ofendido por moradias que contrastam com as rudes habitações dos serranos de antanho. 
Curvas e contracurvas, fascinados pela paisagem, eu e a Lita tentámos, mesmo que levemente e a correr, seguir os passos de Jaime de Magalhães Lima, que há 100 anos conheceu a serra e as suas gentes, como pude ler, com gosto, no seu livro de edição póstuma, "Entre Pastores e nas Serras". O erudito aveirense, amante da natureza e dos seus ares puros, mas também do povo simples que sobrevive do que a terra dá, terá sido, ao que julgo, o primeiro e mais puro ecologista da nossa região. E não foi por acaso que defendeu a necessidade de evitar meios de transporte que lhe impedissem o contacto com o povo. Chegou a fazer caminhadas, nas suas pesquisas pelo Caramulo, de nove horas de puro deleite.

Fernando Martins

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