segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Colapso do Estado Social?

Padre Lino Maia alerta para risco
de colapso do Estado Social

O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) alertou para a insustentabilidade do Estado Social em Portugal, receando que o foco orçamental na Defesa desvie «o dinheiro das instituições». «Não queria ser catastrofista, mas temo, temo um bocado, até porque são definidas prioridades e sabemos, todos nós, que agora a Defesa é considerada como uma prioridade para chegar aos 5% do PIB», explicou o padre Lino Maia em entrevista à Ecclesia e Renascença, emitida ontem.
O responsável assumiu que a situação é «muito complicada», acrescentando que os sinais «não são muito positivos», por parte do Estado. «78% do que se faz em ação social em Portugal é feito por estas instituições que brotam da sociedade», ilustrou. O presidente da CNIS explicou que a inflação específica neste setor é «muito mais elevada. O Estado, ou desperta para um apoio mais significativo a estas instituições, ou então muito mais gente ficará abandonada, ficará para trás», alertou.


NOTA: Texto do Diário do Minho

Grandes Veleiros no Porto de Aveiro



A festa dos Grandes Veleiros não pode cair no poço do esquecimento. Ainda hoje a recordei com imensa saudade.
Fui um dos muitos visitantes, integrando o número elevado dos apaixonados por estes navios, cujas tripulações souberam, na parada em direção ao Jardim Oudinot, animar a festa, com os seus cânticos, músicas, tambores e muita alegria. 
De permeio, brincadeiras espontâneas participadas pelos marujos e oficiais, mas ainda por muitos jovens que fizeram o seu batismo de mar a bordo de alguns Veleiros.
Recordo-a com muita saudade. E se pudesse ser reeditada?


domingo, 4 de outubro de 2026

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Bons Tempos

 
O Google sabe muito. De vez em quando, brinda-me com a oferta de fotos que me fazem recuar no tempo da minha vida ativa. Desta feita, aqui estou eu num congresso das IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), em Fátima. Já lá vão uns anos.
À medida que o Congresso decorria, elaborava notas, fazia entrevistas e atendia jornalistas, esclarecendo nas suas dúvidas. Bons tempos!

sábado, 26 de setembro de 2026

A BORDA



Para os gafanhões, a borda era o local de acesso mais fácil à Ria. Com maré baixa, era certo e sabido que o povo se abastecia de berbigões (cricos, na gíria popular), amêijoas, lingueirão de canudo e de uns peixitos que por ali cirandavam aflitos e sem força para chegar aos regos de água salgada. O mexilhão e lapas arrancavam-se das pedras que defendiam os terrenos das marés vivas. Há décadas, o marisco era apanhado livremente, dia a dia, sempre ao sabor das marés. Apenas se respeitavam, em obediência ao saber de experiência feito, os meses sem erre. Nessas alturas, sem avisos das autoridades marítimas, o povo sabia que as diarreias eram perigosas.
A borda era um convite à proximidade franca com a laguna. Nadava-se, chapinhava-se nas lagoas que a maré cheia deixava para deleite da pequenada. A borda era espaço de encontro e de cavaqueiras das gentes da pesca e da apanha do moliço, chamado arrolado, porque era oferecido de mão beijada pelas águas quando fugiam para o mar.
A borda beneficiava todas as Gafanhas e matava a fome a imensa gente. Mas a borda de hoje, não era como dantes. As obras portuárias, cais, diques, navios, arruamentos, ferrovia e outras estruturas ligadas às pescas, como estaleiros, oficinas e espaços comerciais, fecharam a sete chaves a ria aos gafanhões. A laguna ficou para turistas que por ela navegam em épocas de lazer. Agora, apenas num ou noutro recanto, ainda vale a pena arregaçar as calças para apanhar marisco. A cerveja fresquinha espera.

FM

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Apelidos e alcunhas da Gafanha

Recolha de António Augusto Afonso


Ó gafanhões da minha terra
De cá de longe, eu vos saúdo!...

Ó terra que eu amo, eu te saúdo.
Ó terra da boa gente!...
É o que diz quem o sabe,
E muito mais quem o sente.

Ó gafanhões da minha terra
De longe, vos venho saudar.
Com vossos apelidos e alcunhas
Mas a todos respeitar.

Com seus apelidos e alcunhas
Que já lhes vêm de seus avós,
Ninguém sabe donde lhes vieram,
E muito menos quem lhos pôs.

Alguns bastante engraçados
E até originais e bizarros
Tais como Cigarras ou Grilos
Salsas, Vinagres ou Cigarros

Bolas que não rolam nas Relvas,
Fidalgos sem fidalguias nem brasão
Reis, Condes e Marqueses
E até Frades sem gabão.

E que siga a Rusga e viva a Alegria
Com Guitarras e Violas, Fadistas e Cantadores
E Estanqueiros, Cordeiros e Parceiros,
E Carapelhos, Coelhos e… Caçadores.

Teixeiras, Casqueiras e Ferreiras
Camões, Camarões e Calções
Os Ribeiros, os Ribaus e os Maus
Esgueirões, Carranjões e Gafanhões.

Vergas, Peixotos e Calhotos
Caçoilos, Palhaços e Palhaças
Tavares, Tarrincas e Petingas
Mateiros, Mónicas e Margaças.

Páscoas, Dias e Santos
Rochas, Facicas e Barricas
Marques, Varetas e Maguetas
Piorros, Pônas, Laricas e Janicas.

Brancos, Louros e Russos,
Vechinas, Bichos e Bichões
Alhos, Labregos e Cagarutos
Pintos, Retintos e Cagões.

Patas, Penitates e Lourenços
Valentes, Vicentes e Ritos
Torres, Píncaros e Ramos
Cravos, Flores e Bonitos.

Alcatrazes, Maçaricos e Gaivotas
Melros, Piscos e Cucos
Roques, Rolas e Rolos
Raposas, Zanagos e Zucos.

Albuquerques, Alves e Almeidas
Catraios, Catarréus e Catarinos
Serrões, Guerras e Serras
Tomazes e Ferrazes, Cirinos e Marcelinos.

Sousas, Soares e Sardos
Guinchos, Gulaimos e Perselhas
Sarabandos, Estudantes e Galantes
Anastácios, Garcês e Garrelhas.

Carecas, Caleiros e Calistos
Barba Azul, Pinhos e Gandarinhos
Mateus, Matias, Matos e Ratos
Vidreiros, Vieiras e Vilarinhos.


Calores, Neves e Geadas
Covas, Calatrós e Serafins
Bisas, Brióis e Serapões
Martinhos, Martelos e Martins.

Caixotes, Loureiros e Monteiros
Marçalos, Arrais e Morais
E com Lopes, Lés e Cafés,
Serão ainda muitos mais.

E ainda Silvas e mais Silvas
Com Carvalhos, Nogueiras e Pereiras
Figueiras, Macieiras e Salgueiros,
E a grande floresta de Oliveiras.

Não é possível contar-vos a todos
Por ser elevado o número. Contudo…
Ó gafanhões da minha terra,
Com todo o respeito, daqui de longe, vos saúdo.

António Augusto Afonso