Nota: Encontrei nas Redes Sociais.
memórias soltas
Reflexos de vida de Fernando Martins
sábado, 27 de junho de 2026
O Homem pergunta por Deus. O grande enigma
Crónica Semanal de Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
“Quando no século XXI falamos de céu, inferno e paraíso, utilizamos metáforas. Não cremos que Deus, na sua infinita sabedoria, tenha criado um universo em que realmente existam estes domínios ultra-terrenos. Tão-pouco pensamos que a vida seja uma peregrinação que conduz a Deus. Nisto nos diferenciamos de Dante, o maior poeta da Idade Média.” Aí está, com esta serenidade límpida, a afirmação de entrada de uma breve introdução de Ch. Zschirnt à leitura de A Divina Comédia de Dante Alghieri. Reconhecendo, evidentemente, a perplexidade toda destas questões e que Dante se encontra no mundo das metáforas, será assim tão universal e transparente esta declaração de evidência na abolição de Deus e do seu mistério? Pouco antes da sua morte, o famoso antropólogo René Girard, por exemplo, à pergunta: “Crê que há algo para lá da morte?”, respondia: “Espero, é a minha fé, um acto de vontade e de esperança. O cristão afirma que não pode reduzir-se tudo ao universo no qual se encontra. Que seja tudo como se nada tivesse sido parece-me demasiado abominável para ser real. Aposto na Realidade.”
Bispo de Aveiro propõe ajuda ao povo da Venezuela
O recente sismo na Venezuela destruiu uma vasta zona do país, particularmente nas dioceses de Caracas, Guarenas e La Guaira, onde vive um grupo numeroso de portugueses ou luso venezuelanos e onde a perda de vidas é muito grande. Contactei o bispo de La Guaira e descreveu a situação da sua diocese como uma zona muito danificada e sem meios para reconstruir as habitações dos mais pobres. O próprio seminário diocesano ficou destruído, estando inabitável para qualquer uso.
Peço a toda a Diocese que no próximo fim de semana, 4 e 5 de julho, em todas as paróquias se faça um ofertório extraordinário a que entregaremos ao bispo de la Guaira, D. Pablo Modesto Perez, SDB, a fim de mitigar os estragos do sismo e ajudar os que perderam os seus bens.
Lembro que a nossa diocese de Aveiro tem uma dívida de gratidão para com os nossos irmãos venezuelanos, porque nas últimas décadas do século passado nos ajudaram na construção de várias Igrejas paroquias e de centros sociais paroquiais. Agora é a nossa vez de partilharmos e sermos generosos perante a catástrofe que os meios de comunicação social nos apresentam.
Conto convosco e para todos imploro as bênçãos de Deus.
Aveiro, 27 de junho de 2026.
+ António Manuel Moiteiro Ramos, bispo de Aveiro
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Memórias ao sabor das marés
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Com a serenidade que a idade aconselha, continuarei apenas, de quando em vez, nas Memórias ao sabor das marés. Como todos sabemos, as marés têm altos e baixos. Ora estão altas ora baixas. Assim me sinto eu. Seguirei, portanto, o ritmo da nossa Ria.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Princípios da Gafanha - o Búzio
«Tão pobrezinha [a primeira capela] que estava desprovida de torre, ou simples campanário, e de sinos.
Sem campanário, sem sinos… Como remediar a falta? Como convocar os fiéis para a santa Missa, para o exercício do culto divino?
Tem o seu quê de regional e de poético a maneira como remediaram a falta e como convocavam os fiéis ao templo. No dealbar do dia, ou à tarde ao mergulhar suave e majestoso do sol nas águas do Oceano, conforme a convocação se fizesse para o Santo Sacrifício ou para as orações da manhã ou da noite, um repolhudo gafanhão, improvisado de sacrista, dirigia-se para o templozinho cheio de misticismo, descalço, de cuecas a cair sobre a rótula, cingidas pelo cós com um só botão às ancas espadaúdas. De barrete pendente sobre as orelhas, contas ao pescoço sobre a baeta da camisola, e de gabão velho, esburacado, deixava fustigar pelo vento da madrugada as canelas magras e nuas.
Este bom e anafado gafanhão, ia eu dizendo, assim descrito, tal qual era na primitiva Gafanha, soprava desesperadamente num enorme búzio, cujos sons cavos, profundos e compassados, iam quebrar-se de encontro às cordilheiras solitárias e silenciosas das dunas, ou espraiar-se pela argentínea superfície do oceano infindo.
E daquele rosto, congestionado e entumecido pelo esforço pulmonar, emergiam uns olhos a saltar das órbitas, a completar um quadro que bem lembrava Neptuno, na solidão das águas, a tirar da enroscada concha vozes cavernosas, a fazer sair dos abismos e das ondas toda a caterva de malignos tritões, a chamar os deuses marinhos para o diabólico conciliábulo de algumas desgraças, ou de alguma tragédia marítima.»
João Vieira Resende
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
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