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domingo, 18 de novembro de 2018

O que esquecemos e o que aprendemos

Blocos de cimento

Há tempos, referi-me aos blocos de cimento que ilustram esta página, chamando-lhe pedras. Foi o que saiu naquele momento por me parecer mais poético. Eu sabia que não eram pedras, mas blocos com uma configuração especial ou apropriada para suster o impacto das ondas. 
Contudo, um amigo, o Carlos Amaro, sempre atento ao que digo e escrevo, teve o cuidado de me corrigir, explicando-me que se tratava de blocos, denominados “pé de galinha”, inventados e utilizados na Holanda com sucesso. Dá para perceber, portanto, que uma invenção, por mais simples que seja, pode produzir resultados gratificantes. Estamos sempre a aprender.

A brancura que cai dos céus

Recordando

Serra da Estrela 


A beira-mar tem os seus encantos: os horizontes largos dão-nos margem aos sonhos. Há décadas, um amigo meu do interior do país, de passagem pela Gafanha da Nazaré, quedava-se tardes inteiras sentado com os olhos fitos na linha longínqua que definia o oceano. Nunca tinha visto o mar, que não havia posses para passear até ao litoral. Nem sequer havia televisão na aldeia onde vivia. 
Espantado com tanta obsessão pelo nosso mar, perguntei-lhe, como quem não quer a coisa, por que razão por ali ficava tanto tempo. Respondeu-me, com alguma candura, “que esperava ver, ao longe, sinais de terra”. 
Vem isto a propósito dos terríficas mas simultaneamente belas paisagens nevadas, que o frio tem provocado por algumas zonas do país. Terríficas porque causam transtornos e podem mesmo meter medo a quem viaja. Belas porque nos mostram imagens raras como aquelas que os nossos olhos contemplam via televisão. 
Eu, que nasci ao som do mar e com o cheiro da maresia a entrar-me por todos os poros, nunca pude apreciar ao vivo, em plena serra, o espetáculo da neve a cair e a pintar de branco puro montes e vales, florestas e pessoas. Apenas visitei uma vez a Serra da Estrela, e neve, a sério, por aqui, nunca. Apenas um dia, na escola onde lecionei, há muitos anos, caíram uns farrapitos de neve que mal cobriram o recreio. E todos, professores, empregada e alunos, deixaram livros e cadernos, problemas e leituras para se deslumbrarem com a pureza que naquele dia nos levou a sorrir com gosto. Pudesse eu sentir o palpitar de um nevão e talvez ficasse como o meu amigo, extasiado, a apreciar a Natureza com tudo o que ela tem de bonito e de raro, em dias purificados pela brancura que cai dos céus. 

Fernando Martins

Nota: Texto publicado em 11 de janeiro de 2010.

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