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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Ribeira Grande

Ribeira Grande

«A estrada sobe, a estrada desce, e a vegetação é cada vez mais impetuosa e forte. Já ao longe reluz uma brancura — Ribeira Grande. O panorama alarga-se, mas as nuvens começam a forrar o céu e o cheiro da humidade a entrar-me pelas ventas. Todo este ar lavado e amplo se emborralha. O calor amolece. Mais um lanço de estrada que sobe, e tenho diante de mim a rica planície da Ribeira Grande, largo quadro de tons variados, desde o loiro do trigo até ao verde-escuro do milho. Ao fundo, a toda a largura do céu, uma nuvem recortada e imóvel, estendida como um toldo, deixa um feixe de sol iluminar o oceano, enquanto o campo se conserva envolto em claridade esbranquiçada e magnética até à linha cinzenta dos montes.»

Raul Brandão, 
1924, 4 de agosto

Lita e João Paulo

Lita e Fernando 
Ao volante do seu carro, que chiava a cada curva apertada e roncava em cada subida íngreme, com montes teimosamente no horizonte e mar em múltiplas esquinas, o meu João Paulo não se cansava de nos indicar povoações, miradouros, culturas e gentes. Trigo e milho jamais. Casas bonitas, bem caiadas e asseadas, flores e verdura a ornamentarem a paisagem. Vacas aqui e ali. E nas aldeias, de ruas estreitas desafiando a perícia dos condutores, lá estavam monumentos singelos com evocações histórias.
As nuvens de Raul Brandão a forrarem o céu e a humidade abafada a envolverem-nos eram presença assídua e incomodativa. Depois o largo, a Ribeira Grande, a maior da ilha, segundo o testemunho de três ribeirenses que cavaquearam connosco na ponte. De conversa simpática. A Ribeira Grande afinal trazia pouca água. E explicaram. — Quando chove bem, a água escorre dos montes e o caudal cresce bastante e com força; depois vem a normalidade, mas nunca seca.
E continuaram: — As árvores enormes são como monumentos; ninguém as pode cortar; quando éramos meninos já cá estavam e gostamos muito de as ver sempre bem tratadas. 
Depois falaram da prisão que estava num lado do largo, numa espécie de torre quadrangular. E orgulharam-se das ruas ajardinadas e limpas, das casas pintadas sob fiscalização da Câmara, dos jardins com arte. E um acrescentou: — Um dia um morador abusou, pintando a sua casa com uma cor esquisita; a Câmara resolveu o problema; as leis são para ser cumpridas.

Fernando Martins

Junho de 2016

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Douro


Só fiz um passeio de barco pelo Douro, há muitos anos. E seduziu-me para o resto da vida, tal foi a magia das imagens sucessivas que iam ocupando um recanto nobre do meu consciente. Algumas, com o tempo, recolheram-se no subconsciente.
Estava mesmo para iniciar o sono da noite,  quando, inesperadamente, fui alertado por aviso incessante.
— Lembras-te do passeio que fizeste há muito do Porto à Régua?
— Se lembro! — retorqui.
— Então, partilha uma foto, porque guardaste bastantes. Não vás para a cama; olha que recordar é viver. Tens todo o tempo do mundo para dormir.
E assim foi. Encontrada a foto, aqui está ela.
Reparem na tranquilidade da água do rio, nos socalcos dos montes com silhuetas bem definidos, no casario espalhado a esmo mas olhando a corrente, que, ora desliza mansinho, como naquele dia,  ora corre desalmadamente para o mar, fazendo estragos. Contemplem  as nuvens vivas e atentas ao que se passa, convictas da sua beleza, que as pinturas ou a fotografias, sem elas, nunca teriam tanta expressão. E hoje até parece que me nasceu uma alma nova a sonhar com outra viagem, trilhando o mesmo percurso.

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DONO DO BLOGUE

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Fernando Martins

REFLEXOS DA VIDA DE FERNANDO MARTINS

Este meu blogue ficará disponível apenas para consulta

Por razões compreensíveis e próprias da minha idade, este meu blogue vai continuar disponível para consulta, mas não será atualizado. Contin...