terça-feira, 8 de setembro de 2026
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
O OUTRO FILHO (IRMÃO DO PRÓDIGO)
Mais um poema de Ana Luísa Amaral
«O vitelo mais gordo»
disse o pai. Mas era para o outro
que falava
E ele interrogou-se confundido,
o coração pesado de negócios
esquecido de viagens e sonhos
por fazer
Deve ser coisa estranha
a lealdade,
como penoso o ofício
de amar
Perdida a juventude
entre contas e servos,
entre terras vedadas e cega obediência
que lhe restava
senão juntar-se à festa
e comer do vitelo
e fingir alegria
em pródigos sorrisos?
Nota: do livro ÁGORA
«O vitelo mais gordo»
disse o pai. Mas era para o outro
que falava
E ele interrogou-se confundido,
o coração pesado de negócios
esquecido de viagens e sonhos
por fazer
Deve ser coisa estranha
a lealdade,
como penoso o ofício
de amar
Perdida a juventude
entre contas e servos,
entre terras vedadas e cega obediência
que lhe restava
senão juntar-se à festa
e comer do vitelo
e fingir alegria
em pródigos sorrisos?
Nota: do livro ÁGORA
sábado, 5 de setembro de 2026
O arbusto
Este arbusto que ocupa espaço que lhe permite viver tranquilamente, tem vida regalada. Não lhe falta rega nem terreno para crescer. Já pensei em mandar podá-lo, mas não posso meter foice em seara alheia. A proprietária, minha esposa, não autorizou. Sempre quero ver o que nos espera!
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
domingo, 23 de agosto de 2026
Aprender a envelhecer!
«Os que refletem sobre o número cada vez mais alargado das pessoas idosas, reformadas e aposentadas, sabem que é preciso aprender a envelhecer bem, vivendo o presente e tendo projetos de futuro adequados à realidade de cada um. Isso passa, necessariamente, pelas pessoas e pelos que podem e devem estimulá-las, tendo sempre em consideração que urge assumir os velhos como centros fundamentais de novos desafios a empreender individualmente e pela sociedade.
É preciso provocar o envelhecimento ativo, promovendo comportamentos saudáveis, criando ambientes amigáveis e favorecendo a afetividade, ao mesmo tempo que se torna imperioso capitalizar as experiências e os saberes acumulados ao longo da vida pelos nossos anciãos. Afinal, se estivermos atentos e conscientes da importância e da riqueza que a velhice comporta, compreenderemos que os idosos nos dão lições de vida, pelo que fizeram e ainda podem fazer em prol da família e da comunidade. Eles são, em suma, uma fonte inesgotável de contributos sociais, profissionais e éticos, que não podem ser ignorados, antes devem ser assimilados pelas gerações mais jovens.»
NOTA: Há anos escrevi este texto...
Em maré de recordar
Quem procura sempre alcança. Já passaram uns anos. Num passeio a São Pedro do Sul, num Verão quente, a água fria afogou a sede que me dominava. E a visita à região continuou.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Alçada Baptista - Evocação
"A primeira vez que fui ao Brasil, perguntei por que não havia touradas, uma excepção em quase toda a América Latina onde elas despertam interesse e aficion. Um amigo explicou-me:
A coisa tentou-se, mas o negócio não deu, não. Em 1950, quando Mendes de Morais foi prefeito do Rio, mandou construir uma praça de touros ao lado do Maracanhã. Encomendou touros e toureiros no México e para promover melhor as corridas deixou que a entrada fosse gratuita. Aquilo ficou cheio mas teve que acabar. Não é que o povo torcia pelo touro? Era. Aplaudia o touro e assobiava o toureiro. Aí os toureiros se desmoralizaram muito e a coisa não tinha condições.
Creio que o Brasil corresponde àquela parte de mim que também torce pelo touro, que homenageia a sua fúria solitária, a sua coragem desacompanhada, contra o jogo, a astúcia e as vantagens dos homens."
António Alçada Baptista
1927-2008
In A PESCA À LINHA - ALGUMAS MEMÓRIAS
domingo, 16 de agosto de 2026
Tenho andado abúlico
Tenho andado abúlico… sem interesse pela leitura e pela escrita. Como já me aconteceu, a recuperação será breve. Digo isto, apoiando-me na minha história de vida.
O Festival do Bacalhau passou-me ao lado. Graças a Deus, não morreu ninguém e a vida vai continuar. Garanto...
FM
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Gafanha: região rica?
"Ainda que muitas pessoas se contam neste distrito que viram a Gafanha árida e despida de vegetação, como a maior parte dos areais do litoral, este trabalho foi tão proveitoso que é a Gafanha talvez um dos lugares deste distrito em que haja mais ouro amoedado, sem contar que liberalmente fornece sustentação e trabalho a mais de oito mil pessoas sendo, por assim dizer, o celeiro e a horta dos concelhos de Aveiro, Ílhavo, e ainda da maior parte de Vagos."
In Gafanha da Nazaré – Escola e comunidade numa sociedade em mudança
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
A Barrilha
Um dia destes estava distraído a pensar nem sei o quê. De repente, os meus olhos pousaram na lombada de um livro de José Hermano Saraiva — Itinerário Português – o Tempo e a Alma —, que havia lido há bastante tempo. Dele guardara uma ou outra referência à nossa região. E abri a página 134, onde pontificava um título que nos diz muito: Vista Alegre — Homenagem à porcelana.
A dado passo diz assim:
«A localização da fábrica na região de Aveiro não foi mero acaso. Aveiro tinha tradição cerâmica; nos barreiros da ria tinham aparecido vestígios de caulino; na Gafanha criava-se uma erva, a barrilha, que, calcinada, era usada no fabrico de vidros e cristais.»
Confesso que nunca ouvira falar de tal erva. Mas se ele diz…
Fui ao dicionário e lá estava:
«Barrilha (botânica), designação comum a plantas do género Salsola e Halogeton, da subfamília das quenopodiáceas, cujas cinzas são especialmente ricas em carbonato de sódio»
A flor ou fruto dessa planta, suponho, trouxe-me à ideia os chuchus ou coisa parecida, os quais segregavam um líquido que gostávamos de saborear... Seria a tal barrilha?
Os botânicos que nos expliquem, por favor.
Nota: Uma curiosidade de há anos
Festival do Bacalhau - o Fiel Amigo é Rei
O Festival do Bacalhau já abriu portas no Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré. Os amantes do Fiel Amigo não faltarão, à semelhança dos últimos anos. Para além dos sabores que atraem milhares de visitantes, haverá concertos musicais, com a participação de Quim Barreiros, Carolina Deslandes, Gabriel o Pensador, Delfins e Ricardo Ribeiro.
Nota:
1 Foto das Redes Sociais
2 Novas fotos em breve
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
A verdadeira riqueza está nas pessoas
«Sempre acreditei que a verdadeira riqueza de um território não está apenas nas suas infraestruturas, nas obras físicas, no betão, nas empresas ou nos indicadores económicos. Está, sobretudo, nas pessoas. Nas suas dinâmicas sociais, na sua capacidade de se organizarem e trabalharem em conjunto, de criarem respostas para os desafios da comunidade e de colocarem o interesse comum acima do interesse individual. É isso que fazem, todos os dias, as Associações do Município de Ílhavo.»
Agora Memórias Soltas
Do PELA POSITIVA salto para o MEMÓRIAS SOLTAS, vividas e sonhadas. E sem mais delongas vamos à vida que se faz tarde. O sol deste Verão que vivo e sinto é o meu primeiro desafio.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Dia Mundial das Bibliotecas
| Num recanto da minha biblioteca |
O Dia Mundial das Bibliotecas celebra-se a 1 de julho. Li algures que não se trata de uma celebração oficial, mas não falta quem a defenda, como fundamental à implementação da leitura e divulgação dos livros. É sabido, ainda, que nas Bibliotecas também se promove a leitura de jornais e revistas.
O Dia Mundial das Bibliotecas é o dia ideal para se dirigir a uma biblioteca e requisitar um livro ou então para partilhar o livro da sua vida com outras pessoas e para conhecer novos e antigos escritores, uns mais famosos e outros nem tanto, mas todos importantes. Os que são desconhecidos hoje podem passar, de um dia para o outro, a famosos.
Como animador oficial das Bibliotecas Populares no Distrito de Aveiro, há anos, recordo com saudades esses tempos e o prazer de falar de livros e de escritores. Depois, tudo passou, mas ainda vibro, feliz, quando evoco essas tarefas.
Boas leituras
terça-feira, 30 de junho de 2026
Boca da Barra
Aqui está um recanto à espera das nossas visitas. Ali, com a nossa Barra à vista, podemos usufruir de uma paz fascinante. Passe por lá e depois diga o que sentiu.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Vamos cultivando a paciência
Recorrendo à minha memória, não consigo localizar no tempo temperaturas tão elevadas. Sabemos que a região das Gafanhas goza do privilégio da acção da Ria que ameniza as temperativas do ambiente, mas que o calor se mantém insuportável é verdade indiscutível. Vamos tendo paciência. Os idosos como eu vamos ficando pelo aconchego das nossas casas. Umas temperaturas mais agradáveis devem vir a caminho. Até lá, vamos cultivando a paciência.
sábado, 27 de junho de 2026
O Homem pergunta por Deus. O grande enigma
Crónica Semanal de Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
“Quando no século XXI falamos de céu, inferno e paraíso, utilizamos metáforas. Não cremos que Deus, na sua infinita sabedoria, tenha criado um universo em que realmente existam estes domínios ultra-terrenos. Tão-pouco pensamos que a vida seja uma peregrinação que conduz a Deus. Nisto nos diferenciamos de Dante, o maior poeta da Idade Média.” Aí está, com esta serenidade límpida, a afirmação de entrada de uma breve introdução de Ch. Zschirnt à leitura de A Divina Comédia de Dante Alghieri. Reconhecendo, evidentemente, a perplexidade toda destas questões e que Dante se encontra no mundo das metáforas, será assim tão universal e transparente esta declaração de evidência na abolição de Deus e do seu mistério? Pouco antes da sua morte, o famoso antropólogo René Girard, por exemplo, à pergunta: “Crê que há algo para lá da morte?”, respondia: “Espero, é a minha fé, um acto de vontade e de esperança. O cristão afirma que não pode reduzir-se tudo ao universo no qual se encontra. Que seja tudo como se nada tivesse sido parece-me demasiado abominável para ser real. Aposto na Realidade.”
Bispo de Aveiro propõe ajuda ao povo da Venezuela
O recente sismo na Venezuela destruiu uma vasta zona do país, particularmente nas dioceses de Caracas, Guarenas e La Guaira, onde vive um grupo numeroso de portugueses ou luso venezuelanos e onde a perda de vidas é muito grande. Contactei o bispo de La Guaira e descreveu a situação da sua diocese como uma zona muito danificada e sem meios para reconstruir as habitações dos mais pobres. O próprio seminário diocesano ficou destruído, estando inabitável para qualquer uso.
Peço a toda a Diocese que no próximo fim de semana, 4 e 5 de julho, em todas as paróquias se faça um ofertório extraordinário a que entregaremos ao bispo de la Guaira, D. Pablo Modesto Perez, SDB, a fim de mitigar os estragos do sismo e ajudar os que perderam os seus bens.
Lembro que a nossa diocese de Aveiro tem uma dívida de gratidão para com os nossos irmãos venezuelanos, porque nas últimas décadas do século passado nos ajudaram na construção de várias Igrejas paroquias e de centros sociais paroquiais. Agora é a nossa vez de partilharmos e sermos generosos perante a catástrofe que os meios de comunicação social nos apresentam.
Conto convosco e para todos imploro as bênçãos de Deus.
Aveiro, 27 de junho de 2026.
+ António Manuel Moiteiro Ramos, bispo de Aveiro
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