domingo, 1 de novembro de 2026

O regresso

Aos meus amigos e fiéis leitores dos meus blogues quero garantir que estou a preperar o meu regresso à blogosfera, por imperativo de consciência. Depois de algum tempo de descanso, que não de sorna, hoje mesmo estou a preparar ideias...

Fernando Martins

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Filarmónica Gafanhense em festa


A Filarmónica Gafanhense vai comemorar os 190 anos da sua existência, com o seguinte programa, na Fábrica das Ideias:

10:30 - Eucaristia na Igreja Matriz da Gafanha da Nazaré
11:45 - Romagem ao cemitério local
12:30 - Almoço comemorativo
21:30 - Concerto "Rhapsody in Blue"

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Rua Raul Brandão

Quando há anos topei com a Rua Raul Brandão, confesso que fiquei triste. É verdade. Porque o escritor merecia muito mais. Eu sei que a relação das ruas a baptizar tinha sido feita, na sua grande maioria, numa noite. De modo que, quer queiramos quer não, não havia hipótese de escolher a rua, conforme a personalidade a homenagear.
E Raul Brandão, provavelmente, na minha óptica, o que melhor cantou a nossa ria, com referência assinalável à Gafanha, merecia mais do que uma ruazinha sem expressão, sem circulação de veículos que levasse as pessoas a falar dele.
A Rua Raul Brandão parte da Rua Sacadura Cabral (e não Secadura Cabral, como se lê numa placa) e dirige-se para a ria, sem lá chegar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Colapso do Estado Social?

Padre Lino Maia alerta para risco
de colapso do Estado Social

O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) alertou para a insustentabilidade do Estado Social em Portugal, receando que o foco orçamental na Defesa desvie «o dinheiro das instituições». «Não queria ser catastrofista, mas temo, temo um bocado, até porque são definidas prioridades e sabemos, todos nós, que agora a Defesa é considerada como uma prioridade para chegar aos 5% do PIB», explicou o padre Lino Maia em entrevista à Ecclesia e Renascença, emitida ontem.

Grandes Veleiros no Porto de Aveiro



A festa dos Grandes Veleiros não pode cair no poço do esquecimento. Ainda hoje a recordei com imensa saudade.
Fui um dos muitos visitantes, integrando o número elevado dos apaixonados por estes navios, cujas tripulações souberam, na parada em direção ao Jardim Oudinot, animar a festa, com os seus cânticos, músicas, tambores e muita alegria. 
De permeio, brincadeiras espontâneas participadas pelos marujos e oficiais, mas ainda por muitos jovens que fizeram o seu batismo de mar a bordo de alguns Veleiros.
Recordo-a com muita saudade. E se pudesse ser reeditada?


domingo, 4 de outubro de 2026

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Bons Tempos

 
O Google sabe muito. De vez em quando, brinda-me com a oferta de fotos que me fazem recuar no tempo da minha vida ativa. Desta feita, aqui estou eu num congresso das IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), em Fátima. Já lá vão uns anos.
À medida que o Congresso decorria, elaborava notas, fazia entrevistas e atendia jornalistas, esclarecendo nas suas dúvidas. Bons tempos!

sábado, 26 de setembro de 2026

A BORDA



Para os gafanhões, a borda era o local de acesso mais fácil à Ria. Com maré baixa, era certo e sabido que o povo se abastecia de berbigões (cricos, na gíria popular), amêijoas, lingueirão de canudo e de uns peixitos que por ali cirandavam aflitos e sem força para chegar aos regos de água salgada. O mexilhão e lapas arrancavam-se das pedras que defendiam os terrenos das marés vivas. Há décadas, o marisco era apanhado livremente, dia a dia, sempre ao sabor das marés. Apenas se respeitavam, em obediência ao saber de experiência feito, os meses sem erre. Nessas alturas, sem avisos das autoridades marítimas, o povo sabia que as diarreias eram perigosas.
A borda era um convite à proximidade franca com a laguna. Nadava-se, chapinhava-se nas lagoas que a maré cheia deixava para deleite da pequenada. A borda era espaço de encontro e de cavaqueiras das gentes da pesca e da apanha do moliço, chamado arrolado, porque era oferecido de mão beijada pelas águas quando fugiam para o mar.
A borda beneficiava todas as Gafanhas e matava a fome a imensa gente. Mas a borda de hoje, não era como dantes. As obras portuárias, cais, diques, navios, arruamentos, ferrovia e outras estruturas ligadas às pescas, como estaleiros, oficinas e espaços comerciais, fecharam a sete chaves a ria aos gafanhões. A laguna ficou para turistas que por ela navegam em épocas de lazer. Agora, apenas num ou noutro recanto, ainda vale a pena arregaçar as calças para apanhar marisco. A cerveja fresquinha espera.

FM

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Apelidos e alcunhas da Gafanha

Recolha de António Augusto Afonso


Ó gafanhões da minha terra
De cá de longe, eu vos saúdo!...

Ó terra que eu amo, eu te saúdo.
Ó terra da boa gente!...
É o que diz quem o sabe,
E muito mais quem o sente.

Ó gafanhões da minha terra
De longe, vos venho saudar.
Com vossos apelidos e alcunhas
Mas a todos respeitar.

Com seus apelidos e alcunhas
Que já lhes vêm de seus avós,
Ninguém sabe donde lhes vieram,
E muito menos quem lhos pôs.

Alguns bastante engraçados
E até originais e bizarros
Tais como Cigarras ou Grilos
Salsas, Vinagres ou Cigarros

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Nossa Senhora dos Navegantes



“Nossa Senhora dos Navegantes é protetora dos que se fazem ao mar, mas também dos que ficam em terra com preocupações e angústias”, disse o P.e Pedro Oliveira, pároco da Gafanha da Nazaré, na eucaristia que decorreu na tarde de domingo, 20 de setembro, no largo da Capela do Forte da Barra, na Gafanha da Nazaré, após a procissão marítima que juntou dezenas de embarcações, transportando imagens religiosas, pároco, acólitos, Banda Filarmónica Gafanhense e muitos populares. 
A festa identitária da comunidade ligada ao mar incluiu um festival de folcore e concertos de música pop.

Nota: Texto transcrito do CV

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O OUTRO FILHO (IRMÃO DO PRÓDIGO)

Mais um poema de Ana Luísa Amaral



«O vitelo mais gordo»
disse o pai. Mas era para o outro
que falava

E ele interrogou-se confundido,
o coração pesado de negócios
esquecido de viagens e sonhos
por fazer

Deve ser coisa estranha
a lealdade,
como penoso o ofício
de amar

Perdida a juventude
entre contas e servos,
entre terras vedadas e cega obediência
que lhe restava

senão juntar-se à festa
e comer do vitelo
e fingir alegria
em pródigos sorrisos?



Nota: do livro ÁGORA

sábado, 5 de setembro de 2026

O arbusto


 Este arbusto que ocupa espaço que lhe permite viver tranquilamente, tem vida regalada. Não lhe falta rega nem terreno para crescer. Já pensei em mandar podá-lo, mas não posso meter foice em seara alheia. A proprietária, minha esposa, não autorizou. Sempre quero ver o que nos espera!

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

domingo, 23 de agosto de 2026

Aprender a envelhecer!

«Os que refletem sobre o número cada vez mais alargado das pessoas idosas, reformadas e aposentadas, sabem que é preciso aprender a envelhecer bem, vivendo o presente e tendo projetos de futuro adequados à realidade de cada um. Isso passa, necessariamente, pelas pessoas e pelos que podem e devem estimulá-las, tendo sempre em consideração que urge assumir os velhos como centros fundamentais de novos desafios a empreender individualmente e pela sociedade.
É preciso provocar o envelhecimento ativo, promovendo comportamentos saudáveis, criando ambientes amigáveis e favorecendo a afetividade, ao mesmo tempo que se torna imperioso capitalizar as experiências e os saberes acumulados ao longo da vida pelos nossos anciãos. Afinal, se estivermos atentos e conscientes da importância e da riqueza que a velhice comporta, compreenderemos que os idosos nos dão lições de vida, pelo que fizeram e ainda podem fazer em prol da família e da comunidade. Eles são, em suma, uma fonte inesgotável de contributos sociais, profissionais e éticos, que não podem ser ignorados, antes devem ser assimilados pelas gerações mais jovens.»


NOTA: Há anos escrevi este texto... 

Em maré de recordar

 

Quem procura sempre alcança. Já passaram uns anos. Num passeio a São Pedro do Sul, num Verão quente, a água fria afogou a sede que me dominava. E a visita à região continuou.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Alçada Baptista - Evocação

 
"A primeira vez que fui ao Brasil, perguntei por que não havia touradas, uma excepção em quase toda a América Latina onde elas despertam interesse e aficion. Um amigo explicou-me:
A coisa tentou-se, mas o negócio não deu, não. Em 1950, quando Mendes de Morais foi prefeito do Rio, mandou construir uma praça de touros ao lado do Maracanhã. Encomendou touros e toureiros no México e para promover melhor as corridas deixou que a entrada fosse gratuita. Aquilo ficou cheio mas teve que acabar. Não é que o povo torcia pelo touro? Era. Aplaudia o touro e assobiava o toureiro. Aí os toureiros se desmoralizaram muito e a coisa não tinha condições.
Creio que o Brasil corresponde àquela parte de mim que também torce pelo touro, que homenageia a sua fúria solitária, a sua coragem desacompanhada, contra o jogo, a astúcia e as vantagens dos homens."


António Alçada Baptista
1927-2008

In A PESCA À LINHA - ALGUMAS MEMÓRIAS