terça-feira, 17 de outubro de 2017

Evocando o nascimento do nosso filho Pedro




O nosso filho Pedro, de seu nome completo António Pedro Oliveira Martins, completa hoje, 17 de outubro, a bonita idade de 50 anos. Tal como o nosso primeiro filho, o Fernando, o Pedro nasceu no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, eram 5 horas. Madrugada alta. Foi uma noite sem sono e sem tempo para dormir, que a ansiedade era intensa. A Lita sofreu com o seu nascimento, mas a alegria de mais um filho, o segundo, tudo fez esquecer. No seu primeiro dia de vida, fora do aconchego com que a mãe o brindou durante nove meses, não chorou muito. Preferiu dormir tranquilamente, hábito que mantém ainda hoje.
Recordo que, nesse dia, já noite, fomos levar um amigo, o João, à estação de Aveiro. A Lita ia ao meu lado no Citroen 2CV. Na velha estrada que ligava a Gafanha a Aveiro, ela percebeu que haviam rebentado as águas, sinal de que o menino (ou menina) bateu à porta para vir ao mundo. Apontei o carro para o hospital. A Lita entrou e foi imediatamente atendida pelas enfermeiras, que me garantiram que o parto ainda demoraria algum tempo. Então, ela recomendou-me que fosse a casa buscar a mala já preparada com tudo o que era recomendável para a situação. Levei o João à estação e dei um pulo a casa para pegar na mala. E voltei para o hospital.
Escusado será dizer que andava feliz e muito nervoso. Naquele tempo, não havia ecografias, nem outros exames que garantissem o género dos bebés no ventre materno. A incógnita era decifrada no momento exato do nascimento.
Naquela época, os professores não tinham ADSE nem outro sistema de saúde ou de segurança social que custeasse as despesas hospitalares, fossem elas quais fossem. Nos filhos seguintes, João Paulo e Aida Isabel, já a ADSE estava ativa. Ainda bem.
Nesse período de espera e nascimento daquele que seria o Pedro (omito o António porque ninguém o trata pelo seu primeiro nome), o Fernando foi para Pardilhó, onde ficou aos cuidados das tias Zulmira e Aida, que dele trataram com todo o carinho.
Com o segundo filho, as despesas familiares aumentaram significativamente, pelo que recorremos a quem nos ajudasse. E a vida continuou. Posteriormente, vieram mais dois filhos: o João Paulo e a Aida Isabel. E então a família ficou completa. Com quatro filhos para criar, todos com saúde e cada um com seu feitio, mas também com gostos diversos, tivemos de recorrer a empregadas, uma das quais interna.
O Pedro é  cioso do seu espaço, do seu trabalho como advogado e apaixonado pelo Sporting, imitando o pai, mas superando-o. Chegou a jogar futebol no Beira-Mar, ao ponto de ter participado num torneio, na Bélgica. Gosta imenso de ler, de apreciar filmes de qualidade, de ouvir boa música e de viajar. E até toca viola. Quando está bem-disposto, fala com calor, tal como quando defende os seus ideais políticos, na defesa da democracia e da justiça social. Outra característica que aprecio nele, como nos demais filhos, é a frontalidade com que se bate pelo que considera certo, justo e humano.
Viver os aniversários em família, porventura sem grandes festas, mas sempre atentos aos dias exatos das suas celebrações, está-nos no sangue e na alma. Sempre entendemos que as festas pessoais contribuem para unir a família. E os pais, mesmo protestando com o trabalho que os cansa pelo peso dos anos, vibram, naturalmente, com a alegria gerada por quem possui o seu ADN, onde o amor é a mola-real da vida. E não são os filhos e netos a garantia da nossa eternidade neste mundo?
Parabéns, Pedro. Aqui vão os nossos votos de que saibas continuar a construir o teu futuro, em espírito solidário, apoiado nos princípios de quem te proporcionou um lugar na sociedade que todos desejamos cada vez mais fraterna.

Lita e Fernando

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