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Budismo - A busca da serenidade plena

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Margarida Cardoso, da União Budista Portuguesa, esteve no CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura), na quarta-feira [3 de abril de 2006], à noite, para falar sobre Budismo. Com uma sala cheia, presidiu à “conversa” Alexandre Cruz, director daquele centro, que salientou a premência de todas as religiões e filosofias se unirem para a defesa de uma ética universal. Moderou António Martins, docente da Universidade de Aveiro, que sublinhou a importância de conhecermos outras formas de pensar, para convivermos com os outros, sendo mais tolerantes.
O primeiro desafio para se perceber o Budismo partiu de um convite, original entre nós, lançado pela palestrante: “Sentados comodamente, mãos sobre os joelhos, olhos fechados; vamos sentir o ar a entrar e a sair pelas narinas; vamos ouvir o barulho da sala… e agora o silêncio; deixemos entrar os pensamentos…”. Isto, porque o Budismo é essencialmente uma filosofia de vida, uma prática enriquecida por experiências de meditação, um…

Sugestões de férias para os meus amigos

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Quem nasceu e vive com o som do mar a embalar o seu adormecer, e sente, ao acordar, as ondas a espraiarem-se nas dunas, não pode deixar de sonhar, também, com a silhueta dos picos da serra, que ao longe nos desafia. A primeira vez que fui à serra, e à medida que me aproximava dela, os meus olhos de menino pouco viajado ficaram deslumbrados. Senti um não sei quê na alma, um prazer inexplicável que ainda hoje, tantos anos depois, é um mistério no meu espírito. À serra vou sempre que posso e às vezes até juro a mim mesmo que um dia por lá hei de ficar uns tempos largos, para calcorrear montes e vales, entre vegetação luxuriante ou entre penedos com formas estranhas de figuras fantásticas que enriquecem o imaginário de qualquer um. Há dias fui ao Caramulo à procura desses ares límpidos, alimentados, e de que maneira, pelo verde que tudo enche, ao som de regatos que deslizam do cimo dos montes, por entre pedregulhos que amplificam o cantar da água saltitante que apetece beber a toda a ho…

O Ângelo Ribau também nasceu neste dia em 1937

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Há tempos, perguntaram-me o que é que mais me marcou quando estive doente e acamado durante a minha juventude. Respondi, sem hesitar, que, durante esse período da minha vida, fiquei a saber quem eram os meus grandes amigos, mas também quem eram os falsos amigos. Os falsos amigos procurei esquecê-los; os grandes amigos têm lugar muito especial nas minhas memórias e no meu coração.  Hoje, vou referir-me ao Ângelo Ribau Teixeira, porque nasceu no dia 17 de novembro de 1937 e porque me visitava todos os dias, Deixou-nos, prematuramente, em 11 de agosto de 2012. Digo prematuramente porque, numa lógica natural, poderia, como eu, estar no mundo terreno a saborear a vida, falando, lendo e escrevendo, concordando com o que eu publicava, mas também discordando com aquela franqueza que o caracterizava, sem papas na língua, o que me obrigava, por vezes, a reconstruir o meu pensamento a propósito de certos temas. O Ângelo foi desde muito cedo um apaixonado pela música, como os demais irmãos, mas…

Dona Luz Facica – 17 de novembro

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Durante muitos anos, neste dia, 17 de novembro, tive registado na minha agenda um telefonema a fazer. A Dona Luz Facica, de seu nome Maria da Luz Rocha, celebrava o seu aniversário. Cumprido o ritual, com as saudações habituais, era certo e sabido que, uma semana depois, seria ela a telefonar-me com votos semelhantes, normalmente enriquecidos com expressões que despertassem em mim a importância e a necessidade de mais me aproximar de Jesus Cristo e da sua mensagem de Boa Nova para todo o universo. A Dona Luz já faleceu e estará decerto no seio maternal de Deus, tranquilamente, revivendo e apreciando, em espírito, o fruto da sementeira de bem, de justiça e de caridade que espalhou na terra, em favor dos feridos da vida pelas injustiças dos homens.  Recordo-a na sua simplicidade, no dom de se dar sem limites, na ternura contagiante com que lidava com todos, na coragem com que enfrentava os problemas dos que a rodeavam e dos que, de perto ou de longe, padeciam agruras e suportavam a cus…

Orlando Padinha e a antiga igreja da Gafanha do Carmo

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Há tempo, visitei o meu parente e amigo Orlando Padinha e sua esposa Rosa Maria, durante a sua estada entre nós para umas férias merecidas e desejadas na sua terra-mãe. Como era de esperar das gentes das Gafanha, beneficiei de uma receção fraterna, marcada pela alegria do encontro que já não acontecia há anos. E a conversa prolongou-se sem muita pressa, apesar de eu ter compromissos inadiáveis horas depois. Evocámos os seus irmãos (Carlos, José Manuel e Conceição) e demais familiares, recordámos cenas do passado, sobretudo quando nossas mães, que eram primas direitas, se encontravam, ora na Gafanha da Nazaré ora na Gafanha do Carmo, e ainda falámos das nossas vidas e canseiras. Depois, foi a visita ao Cesário Apolinário, também parente e autêntico especialista em questões genealógicas que soube e aceitou partilhar comigo à volta do tronco comum. Mesmo acamado, espero que temporariamente, li no seu rosto a alegria de viver e o sentido profundo da descoberta dos nossos ancestrais.  Em …

Evocando o nascimento do nosso filho Pedro

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O nosso filho Pedro, de seu nome completo António Pedro Oliveira Martins, completa hoje, 17 de outubro, a bonita idade de 50 anos. Tal como o nosso primeiro filho, o Fernando, o Pedro nasceu no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, eram 5 horas. Madrugada alta. Foi uma noite sem sono e sem tempo para dormir, que a ansiedade era intensa. A Lita sofreu com o seu nascimento, mas a alegria de mais um filho, o segundo, tudo fez esquecer. No seu primeiro dia de vida, fora do aconchego com que a mãe o brindou durante nove meses, não chorou muito. Preferiu dormir tranquilamente, hábito que mantém ainda hoje. Recordo que, nesse dia, já noite, fomos levar um amigo, o João, à estação de Aveiro. A Lita ia ao meu lado no Citroen 2CV. Na velha estrada que ligava a Gafanha a Aveiro, ela percebeu que haviam rebentado as águas, sinal de que o menino (ou menina) bateu à porta para vir ao mundo. Apontei o carro para o hospital. A Lita entrou e foi imediatamente atendida pelas enfermeiras, q…

Estaleiros Mónica

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Os Estaleiros Mónica fazem parte indelével da história da Gafanha da Nazaré. Estabeleceram-se aqui, porém, antes da criação da freguesia, e há 60 anos comemoraram 70 anos de existência. Disso dá conta uma velha edição, cuja capa apresento aqui. Dentro há diversas mensagens, mas permitam-me que destaque a do então Bispo de Aveiro, o primeiro da restaurada Diocese de Aveiro, pela poesia muito típica do saudoso prelado aveirense.

Nota: Destaquei da foto original o texto para se ler melhor.

Recordações — Amizades para a vida

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Ao longo da vida criamos muitas amizades, algumas das quais crescem com o tempo, apesar das distâncias que nos separam uns dos outros. Uma dessas amizades, das tais que se consolidam com o decorrer dos anos, nasceu há décadas com uma família de Chaves, que viveu perto de nós, na Gafanha da Nazaré. Refiro-me aos meus amigos Nazaré e António Fernandes e aos seus filhos, Pedro, José Carlos e Vítor. Depois, o grupo alargou-se às noras e aos netos, Erika e Paula, Mariana, Alexandra, Rita e Francisco.  Quando o encontro, programado ou ocasional, acontece, experimentamos, naturalmente, uma renovada alegria. Este ano nada fazia prever o reencontro com a família flaviense. Não seria fácil uma estada no Algarve para gozo de férias naquela altura do mês de agosto, diziam-me. Mas eu, que acredito ou penso que acredito no sexto sentido, tinha cá um palpite de que tudo seria possível.  Um fim de tarde, quando deambulava pelo aldeamento, reparei que na casa dos nossos amigos havia janelas entreaber…

Para memória futura: Castelo de Montemor-o-Velho

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Visitei há dias [2007] o Castelo de Montemor-o-Velho, que se me ofereceu em muito bom estado de conservação. Já lá não ia há muitos anos, embora o visse de longe, muitas vezes, a desafiar-me. O Castelo de Montemor-o-Velho é a maior fortificação do Mondego e uma das maiores do País, tendo desempenhado um importante papel nas lutas pela conquista do território aos mouros.  Num dia destas férias de Verão em que lá estive, na semana passada, dia de calor abrasador que convidava à procura das sombras das muralhas, encontrei bastantes turistas que, tal como eu, liam com interessa as legendas explicativas dos cantos e recantos do castelo, todas elas cheias de ricas lições de história.  As partes mais antigas são as duas fortes torres junto à porta de Nossa Senhora do Rosário, do século XIII, e a base da Torre de Menagem, talvez da Alta Idade Média. Mas há mais motivos de cuidada atenção: Ruínas do Paço das Infantas, cuja construção se atribui a D. Urraca, séculos XI e XII; Porta da Peste; C…

A nossa Tita

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Estar no quintal, em dias de sol ou de chuva, é um dos prazeres que cultivo, como quem cultiva uma flor para desabrochar na Primavera. Olhar as árvores na hibernação, ver as plantas que nascem sem que alguém as tenha semeado, cheirar o verde ora viçoso ora mortiço da vegetação espontânea, experimentar o prazer de deitar a semente à terra e de ver as novidades, mais tarde, ferirem a crosta areenta e estrumada, tudo isto me encanta. Numa dessas tardes em que a contemplação me deixava voar ao sabor da maré que os ventos envolviam, a Tita surgiu apressada, como quem deseja chegar o mais depressa possível à meta que o seu instinto alimenta desde que nasceu. Passa por mim ostentando uma alegria inusitada e corre, corre, sem aparente explicação. Depois cheira tudo, em busca não sei de quê. Dou comigo a pensar que isso já nasceu com ela. Chama o companheiro Tótti, grita mesmo por ele, em jeito de quem quer alguém com quem possa partilhar a alegria de uma liberdade conquistada. Tótti dá-lhe o…