Recordando o Padre Abraão

Livraria Santa Joana
Apesar do tempo que passou, guardo lembranças de alguns encontros que tive com o Padre Abraão da Costa Lopes, oriundo da Arquidiocese de Braga e responsável pela Livraria Santa Joana durante alguns anos. E dessas lembranças ocorre-me salientar a simplicidade do seu viver e das suas relações com os frequentadores da livraria, não deixando passar a oportunidade de sugerir, delicadamente, esta ou aquela obra acabada de chegar. Dele, pois, recebi e aproveitei algumas propostas de compra.
O Padre Abraão, vocação tardia, com passagem pela Obra da Rua, também foi, tanto quanto sei, empregado de uma livraria. Daí, porventura, o prazer que ele sentia no ambiente livreiro. 
Porém, há outras facetas porventura pouco conhecidas do seu gosto pelos livros. Um dia entrei na livraria e ele convidou-me para ir ao seu gabinete. Sentei-me a seu convite e mostrou-me, com um sorriso largo a iluminar o seu rosto um pouco seco, um livro antigo com edição especial. Bonito e bem cuidado, o livro nem era de autor conhecido. Folheando-o, foi-me explicando a razão por que o havia comprado para seu regalo. Deu-me a entender que possuía mais obras raras… 
Um dia, numa reunião em Fátima, aberta a diretores e colaboradores dos órgãos de comunicação das dioceses, o diretor de um jornal de Coimbra anunciou, no decorrer da conversa, que a Lusa Atenas já possuía uma livraria destinada a publicações religiosas, nomeadamente teológicas, eclesiais e de espiritualidade, entre outros temas. E frisou: «Agora, quando precisamos de livros desta natureza, já não necessitamos de ir a Aveiro ou a Fátima para as adquirir.» E quando contei a história ao Padre Abraão, ele sorriu, silenciosamente, mas satisfeito.

Fernando Martins

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