A chegada do navio ao cais

Os familiares junto ao navio; os curiosos mais ao largo
A vida dos marítimos é ingrata. Longe das famílias e amigos, os trabalhos de bordo não lhes dão descanso. Quando eu era menino e moço, nos lugres e arrastões não havia horas de trabalho e o descanso era reduzido. Alguém disse um dia que os marítimos da nossa frota eram autênticos escravos. Presentemente, não será assim, mas o dia a dia nos navios, longe dos ambientes de terra, continuará duro.
Nas famílias, escrevi um dia, na hora da partida viviam-se momentos de silêncio e dor. Era certo que só daí a uns meses voltaríamos a sentir o amor dos nossos pais e amigos. A alegria vinha depois, com hora marcada na entrada da barra e na atracação dos navios no cais. A espera incomodava, mas estava alimentada pela certeza do abraço e do beijo iminentes. 
Ontem tive o privilégio ou sorte de assistir à chegada de um navio ao cais do porto de pesca longínqua, na Cale da Vila, Gafanha da Nazaré. Curiosos e familiares, estes mais próximos do navio, esperavam ansiosos os seus entes queridos. 

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