Recordando a prima Rosa Salsa


No dia 18 de abril de 2010, registei o falecimento da minha prima Rosa Salsa, uma prima muito amiga que jamais esquecerei. Quando hoje me lembrei dela, o que acontece com frequência, fui à procura do que há anos havia escrito. Partilho com os meus leitores atuais o que então me ocorreu escrever. E faço-o com a certeza de que cumpro o dever de manter viva a memória da sua bondade e da sua amizade. 

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Há momentos difíceis na vida. A partida de alguém muito querido é sempre um motivo de grande dor. E quando esse alguém é uma pessoa que nos marcou na vida, pela sua bondade pura e generosidade sem limites, então a dor é muito maior.
A minha prima Rosa Salsa era uma amiga muito próxima, apesar da diferença de idades, e ocupava um lugar especial no meu coração. Confidente que me ouvia e aconselhava nas horas mais difíceis e comigo ria nas horas de felicidade.
Mulher de fé profunda oferecia a quem a ouvia palavras de esperança alicerçadas na Boa Nova de Jesus Cristo. A sua vida era uma oração fervorosa e permanente, convicta de que com ela dava um precioso contributo para um mundo melhor.
Tentou ser freira, mas acabou por desistir. Porém, manteve permanentemente o espírito de doação aos outros, que acompanhava com um sorriso que os seus amigos, que eram quantos com ela conviviam, jamais esquecerão.
A minha prima Rosa Salsa escrevia com muita sensibilidade. As cartas que nos remetia deixavam transparecer uma grande alma. Uma alma de afectos e de bem.
Um amigo comum disse-me um dia que as cartas que a Rosa enviava a sua esposa, eram sofregamente lidas por ele, mesmo antes da destinatária. Traziam qualquer coisa de simples e belo, garantiu-me.
A minha prima gostava muito de ler quando era mais nova. E quando chegava a qualquer palavra que desconhecia apressava-se a escrevê-la num caderno, para depois consultar um dicionário, que não possuía. E quando fez um exame, a sua redacção foi copiada pelos membros do júri, tão bonito estava o seu escrito.
A Rosa Salsa está no seio de Deus, gozando a felicidade tão desejada pela sua fé. Por isso, a tristeza que a sua partida sem regresso suscita em nós tem de ser estímulo para sermos dignos da fé e da bondade que ela nos legou.

Fernando Martins

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