sábado, 3 de dezembro de 2016

A chegada do navio ao cais

Os familiares junto ao navio; os curiosos mais ao largo
A vida dos marítimos é ingrata. Longe das famílias e amigos, os trabalhos de bordo não lhes dão descanso. Quando eu era menino e moço, nos lugres e arrastões não havia horas de trabalho e o descanso era reduzido. Alguém disse um dia que os marítimos da nossa frota eram autênticos escravos. Presentemente, não será assim, mas o dia a dia nos navios, longe dos ambientes de terra, continuará duro.
Nas famílias, escrevi um dia, na hora da partida viviam-se momentos de silêncio e dor. Era certo que só daí a uns meses voltaríamos a sentir o amor dos nossos pais e amigos. A alegria vinha depois, com hora marcada na entrada da barra e na atracação dos navios no cais. A espera incomodava, mas estava alimentada pela certeza do abraço e do beijo iminentes. 
Ontem tive o privilégio ou sorte de assistir à chegada de um navio ao cais do porto de pesca longínqua, na Cale da Vila, Gafanha da Nazaré. Curiosos e familiares, estes mais próximos do navio, esperavam ansiosos os seus entes queridos. 

TEMPOS QUE NÃO VOLTAM…

Não sendo um nostálgico, aprecio fotografias de outros tempos. Tempos que não voltam, mas que me levam a recordar pessoas, paisagens,...