O Douro


Só fiz um passeio de barco pelo Douro, há muitos anos. E seduziu-me para o resto da vida, tal foi a magia das imagens sucessivas que iam ocupando um recanto nobre do meu consciente. Algumas, com o tempo, recolheram-se no subconsciente.
Estava mesmo para iniciar o sono da noite,  quando, inesperadamente, fui alertado por aviso incessante.
— Lembras-te do passeio que fizeste há muito do Porto à Régua?
— Se lembro! — retorqui.
— Então, partilha uma foto, porque guardaste bastantes. Não vás para a cama; olha que recordar é viver. Tens todo o tempo do mundo para dormir.
E assim foi. Encontrada a foto, aqui está ela.
Reparem na tranquilidade da água do rio, nos socalcos dos montes com silhuetas bem definidos, no casario espalhado a esmo mas olhando a corrente, que, ora desliza mansinho, como naquele dia,  ora corre desalmadamente para o mar, fazendo estragos. Contemplem  as nuvens vivas e atentas ao que se passa, convictas da sua beleza, que as pinturas ou a fotografias, sem elas, nunca teriam tanta expressão. E hoje até parece que me nasceu uma alma nova a sonhar com outra viagem, trilhando o mesmo percurso.

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