sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Evocando D. Júlio Tavares Rebimbas


Nas vésperas da sua nomeação para ser ordenado bispo, encontrei-o em Fátima, no café mais frequentado, o tal que fazia e faz esquina com duas ruas. Era agosto de 1965 e eu andava por ali em lua de mel com minha esposa. Ele estava com o Padre João Paulo da Graça Ramos que viria a ser seu secretário, ao que julgo. 
O nosso conhecimento devia-se ao facto de eu ser da Ação Católica e gafanhão, e ele prior de Ílhavo. Nessa altura, Mons. Júlio Rebimbas era Vigário-geral da Diocese de Aveiro. 
Estávamos na conversa e nesse ínterim chega um indivíduo amigo do Padre João Paulo que fez as apresentações devidas, esclarecendo: 
— Mons. Júlio Rebimbas é o Vigário-geral da Diocese de Aveiro. 
De imediato, Mons. adianta: 
— Calma, sou o prior de Ílhavo.

Regressámos da lua de mel e dias depois, qual não foi o meu espanto, noticiava um diário que Mons. Júlio tinha sido nomeado Bispo do Algarve. É claro que antes da nomeação se refugiou, decerto para meditar, em Fátima, Não estaria ali para outra coisa, julgo eu.
Guardo dele o bom humor, a graça no falar, o jeito para criar amizades e a proximidade que cultivava com todos, em especial com os mais simples.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

D. Domingos da Apresentação faleceu há 54 anos

Evocando o primeiro bispo 
com quem falei

Tendo sido Bispo Auxiliar de D. João Evangelista durante cinco anos, após o seu falecimento foi nomeado Bispo Residencial de Aveiro em 11 de Agosto de 1958. Dele disse, D. João, quando, como Bispo Auxiliar, D. Domingos chegou à nossa Diocese: «Tu serás a luz dos meus olhos, ó doce irmão, tu serás, ó forte amparo, o báculo da minha velhice.» 
D. Domingos, na sua primeira carta pastoral, define como prioridades para o seu trabalho «os problemas do clero, do apostolado, da caridade e da educação cristã». Promove o apostolado dos leigos, com base nas estruturas da Ação Católica e da Catequese, ao mesmo tempo que incentiva a formação dos catequistas.
Dele guardo recordações da minha participação nas Semana de Estudos Pastorais, destinadas a sacerdotes e leigos, e da sua intervenção pastoral que o levava a visitar, quantas vezes inesperadamente, as paróquias carecidas do seu estímulo e da sua presença, qual pai atento às dificuldades dos seus filhos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Memória de um Cortejo dos Reis



O Cortejo dos Reis, ano a ano repetido, leva-me a experimentar a proximidade com as pessoas, muitas delas envolvidas na vivência desta antiga e sempre renovada tradição. A festa do Cortejo dos Reis proporciona-me a oportunidade de voltar aos tempos em que eu, menino, com meu irmão, mais novo três anos, participámos no Cortejo dos Reis, de uma ponta à outra, cada um com a sua cana às costas. Na ponta da cana lá ia a prenda para o Menino Jesus. Não consigo recordar toda a pequena carga, mas dela fazia parte um chouriço, um pequeno bacalhau, umas laranjas e nem sei que mais. Mas também é verdade que os nossos frágeis ombros não suportariam muito mais. 
O meu pai levou-nos até Remelha, de bicicleta, como era hábito na altura, entregando-nos ao cuidado de pessoa sua conhecida. Ainda me lembro de ouvir a minha mãe dizer que estaríamos assim a pagar uma sua promessa, coisa que não compreendi. Mas se ela dizia que tínhamos de ir no Cortejo, não haveria razões para discordar.
Recordo-me, com que saudade, de que, mal o cortejo chegou à igreja, eu e o meu irmão corremos para casa com os presentes ao ombro. Estava terminada a promessa. Quando entrámos na cozinha, os meus pais ficaram admirados e logo nos questionaram:
— Então não entregaram os presentes ao Menino Jesus, como vos recomendámos? O meu pai sorria como só ele sabia sorrir… 
Respondemos com o silêncio.
A minha mãe, mulher prática, resolveu a situação.
— Vai lá, Armando, e paga os presentes.
E assim foi. Mas como entender que tínhamos de entregar os presentes à comissão organizadora, se não conhecíamos ninguém? 
Afinal, as tradições são sempre excelentes motivos para reconstruirmos as nossas histórias de vida, por mais humildes que sejam.

Fernando Martins

Caramulo e os seus encantos

Das minhas memórias O mês de agosto de 2014 foi muito rico a nível de férias. Eu e a Lita fomos uma semana para o Caram...