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A mostrar mensagens de Novembro, 2015

Conversas ao sabor da maré

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A vida é um dom permanente, que nem sempre sabemos apreciar e valorizar. Raramente nos apercebemos disso, mas é dom por tudo quanto dela nos vem.  Ausente uns dias, não muito longe, que viagens cansam, o regresso foi rápido, quase ao cair da noite. A habitual sensação do retorno ao sítio em que criei  raízes profundas e duradouras. Manhã cedo, que os dias são mais curtos, o erguer foi imposto por visitas programadas. Aqui, nas ruas que me são familiares, encontrei em cada esquina uma voz próxima, uma saudação amiga. E ouvi histórias, e soube de gestos já natalinos, e compreendi projetos solidários, e cruzei-me com amigos de longa data. A nossa terra é sempre a terra que nos realiza como pessoas de partilha de sentimentos e emoções, de trabalhos e canseiras, de lutas benfazejas, de alegrias mais sonoras, de gestos mais emotivos. Com a passagem dos anos, fixo mais os rostos e sorrisos das pessoas do que os seus nomes. Por vezes é a voz que torna presente os nomes, normalmente acompanha…

Bom Dia de S. Martinho

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Castanhas e jeropiga para 


Como manda a tradição, celebra-se hoje, 11 de novembro,  o Dia de S. Martinho. Se a nossa região fosse terra de vinhos, teríamos de provar o vinho novo com as castanhas. Assim, limitar-nos-emos a beber um vinho qualquer, ao gosto de cada um, ou a também tradicional jeropiga. Vou pelo que estiver à mão. Que me lembre, as castanhas numa foram a base da alimentação das nossas gentes, o que acontece mais nas terras de muitas e boas castanhas. Neste caso, é sabido que as castanhas serviam para confecionar boas e substanciais sopas, alguns doces e até para acompanhar carne assada. Garanto que as castanhas são um excelente complemento. Um dia destes fizemos a experiência de substituir as batatas pelas castanhas na carne assada no forno.  Por cá, pelas nossas terras, opta-se pelas castanhas assadas. Antigamente em caçarolas de barro, com buracos, e temperadas com sal grosso. Eram saborosas, sim senhor. Mas nada que se compare às que comprávamos nas pontes, o olho da…

Passagem pela Livraria Lello

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Durante a minha vida, passei diversas vezes pela célebre livraria Lello, que ostenta a fama de pertencer a um grupo restrito das mais belas do mundo. De facto, ali tão perto da também célebre Torre dos Clérigos, tudo faria crer que eu a tivesse visitado, mas assim não aconteceu, por razões que desconheço, já que sou um frequentador assíduo de livrarias. A fachada é notoriamente diferente das que a ladeiam, dando por isso nas vistas. A verdade é que lá fui pela primeira vez, faz hoje cinco anos, aquando da minha visita ao Porto. A sua beleza e fama estão na arquitetura do seu interior, realmente histórica e digna de ser vista. Não há quem lhe fique indiferente e julgo que é por isso que há sempre quem entre e aprecie com gosto. Aconteceu comigo. Fotografei de um lado e de outro, subi para desfrutar a livraria Lello por todos os cantos. E até desci à cave onde há umas tantas edições, próprias, de bolso, provavelmente únicas, no género. Cá estão visitantes de máquina em punho, faze…

Homenagem: Irmã Maria Rosa

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Partamos 
Partamos!... a sorrir… de mãos dadas… olhos presos no azul do Infinito… embriagando-nos de luz… — da luz pura e renovadora da Verdade — galgando «encostas»… escalando «rochedos»… conquistando, enfim, as cristas nevadas!...
Ferimos as mãos?... Tingimos de sangue as pedras dos caminhos?... Sentimos vertigens à borda de abismos?... Que importa?
Todo o esforço é uma conquista… a vida é uma conquista… que nos deixará na alma, no coração, em todo o nosso ser, uma alegria justa e imensa… — a alegria indizível de vencer!...
Subamos!... É preciso subir para viver… Subir para ver mais longe… Subir para compreender os nossos irmãos… Subir para abraçar a Humanidade inteira…
Partamos, então, a sorrir, de mãos dadas… Calcorreando caminhos e estradas... cobertas de pó e de suor… mas a cantar… a cantar… irradiando à nossa volta ALEGRIA AMOR…
Irmã Maria Rosa
In Timoneiro, Fevereiro de 1984

NOTA: Presto hoje uma singela homenagem a uma pessoa que conheci na década de oitenta do século passado. Chamava-se Maria Rosa e er…