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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

UM VELHINHO BONDOSO DA MINHA MENINICE

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Quando eu era menino, há quase 70 anos, costumava visitar a ria. Ia muitas vezes sozinho para me deliciar, extasiado, com águas correntes, barcos moliceiros e tainhas a saltar. Olhava para as Portas d’água e apreciava a ponte da Cambeia. Do outro lado, o Jardim Oudinot com a sua barraca de madeira, com mesa e bancos, onde alguns, no Verão, saboreavam merendas, antes de dormir a sesta num qualquer recanto a jeito. Com frequência olhava o regueirão, também conhecido por Canal de Mira, e apetecia-me caminhar pela margem, à cata nem sei de quê. Mas um dia vi, ao longe, um pescador que me atraiu, pela sua postura. Ali estava, sereno, muito atento, fixado nas linhas que tinha na ria. Na ponta, chumbeiras e anzóis, ligados a estropos. Para o menino que eu era, o pescador era um velhinho bondoso, muito calmo, de poucas falas e de sorriso a emoldurar-lhe o rosto de barba semanal. Quando me olhava, sorridente, eu sentia-me muito próximo dele. Era um amigo. Chamava-se Manuel Bola e tinha muitos…

UM ANTIGO ALUNO DA MANTA ROTA

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Por ter estado no Algarve lembrei-me de um aluno, Veríssimo Salvador, oriundo da Manta Rota. Foi há 50 anos, na Escola da Chave. Tive o prazer de o rever no almoço com antigos alunos, no restaurante Traineira, no dia 2 de agosto, ao lado de outros colegas. Na altura sentia-se um grande incremento na Pesca do Bacalhau. A Gafanha da Nazaré muito beneficiou dele, com empresas a darem trabalho a imensa gente, que vinha de todos os cantos do litoral português. Notávamos isso no linguajar dos que chegavam para ficar na região. Uma criança entra-me na sala por transferência. Quando indaguei da sua naturalidade, respondeu-me, com ar cândido, que era do Algarve, de Manta Rota. Logo a malta riu a bom rir, como era natural, pelo ineditismo do nome da terra algarvia.  Confesso que nunca tinha ouvido falar de tal terra e também sorri. E começou a conversa, naturalmente, para levar o aluno à integração no meio escolar. E as perguntas, minhas e dos então seus colegas, surgiram, numa tentativa de se…

O PRIMEIRO EMPREGO

O drama do primeiro emprego é terrível nos tempos que vivemos. Os jovens, na ânsia de conseguirem alguma independência económica, passam às vezes por situações difíceis. Nas últimas férias grandes, um desses jovens lá foi em busca de trabalho. Bateu a diversas portas e todas se mantiveram fechadas. Mas uma abriu-se. "Que sim, que podia começar no dia seguinte, para substituir um empregado em férias. O ordenado via-se depois. Teria alimentação na própria casa (café-bar dos arredores da Gafanha) e o horário de trabalho seria o normal." Tudo certo. Ao fim do primeiro mês, foi informado de que seria melhor receber no fim do contrato verbal, nunca oficializado. E assim aconteceu. - Muito obrigado pelos teus serviços. Foste um trabalhador dedicado - disseram-lhe os patrões. Toma lá 30 contos pelos três meses. - Fiquei desolado, senhor professor. Fui competente, dedicado, trabalhei em média 12 horas por dia e no fim recebi por três meses o que esperava receber por cada um. Eu comi…